Por
Camila Santo*
O Caso mais interessante de
voluntariado que tenho conta a história do nascimento da
Associação Rede Brasil França.
Tudo começou em 2003 quando inventei de começar a criar projetos
socio-culturais e os mostrei para uma amiga produtora, para ela me
ajudar a realizá-los. Ela achou bacana o que eu estava imaginando e
resolveu me apresentar para um articulador que trabalha no setor
governamental. Ele também gostou, mas resolveu me fisgar para
projetos que ele queria desenvolver e dizia não ter tempo ou
conhecimento para elaborar. Um deles era uma demanda de um portal
que contribuisse para a cooperação internacional.
Eu escrevi uma minuta e este senhor me pediu para apresentá-la a
mais duas pessoas que se interessavam pela idéia, parceiras. Uma
delas, era a gerente de uma incubadora, a outra seria uma
representante do governo na equipe. Ambas gostaram. Me pediram
então o projeto. Eu escrevi. Em seguida me disseram que eu tinha
elaborado um negócio e por isso, o projeto tinha que virar um plano
de negócios. Nesta eu ganhei uma bolsa para fazer um curso de
empreendedorismo cultural. Em 2004 nascia o meu primeiro plano de
negócios, o da Rede Brasil França.
Minha atuação no curso rendeu um prêmio. Mas no fim das contas o
projeto cresceu tanto que não atendia mais aos interesses
governamentais, que eram locais (como haviam me pedido algo que
fomentasse a cooperação internacional, eu fiz algo que
finalmente só podia ser mais abrangente). Bem, não importa, fato é
me vi, de repente, diante de um plano de negócios que havia me
custado 1 ano de trabalho, sem o principal apoio institucional ao
meu ver, aquele que havia me colocado ali naquela história. E aí
aconteceu a coisa mais mágica, a consciência que adquiri de que
projetos podem assumir identidade própria e dessa forma se
realizarem a partir de condições próprias.
Em um ano aparentemente perdido, eu passei de pessoa com idéias, a
gerente de projeto, de gerente de projeto, a empreendedora, de
empreendedora a articuladora. Ao mesmo tempo, uma minuta de portal,
virou um plano de negócios de uma rede social, e em seguida uma
organização sem fins lucrativos. Com efeito, eu não tinha toda a
ajuda que esperava, mas uma série de instituições haviam se
disponibilizado a ajudar e permaneciam interessadas mesmo assim. E
não eram somente instituições, eram também pessoas, que apareceram
de todos os lados e vieram a se tornar, em 2005, a primeira
diretoria e o grupo de fundadores da Associação.
Hoje, sou presidente há três anos deste empreendimento. A nossa
rede triplicou de tamanho em três anos graças ao pique de nossos
diretores, e à contribuição dos nossos associados, além da chegada
constante de novos membros. A Associação Rede Brasil França
adquiriu por conta de seu nascimento peculiar, autônomo e
verdadeiro, a característica inovadora de associar tanto pessoas
jurídicas quanto físicas, reconhecendo que o valor de cada membro
não se mede em tamanho mas em contrapartida, em troca, em idéias,
em vontade verdadeira de cooperar. Nossos serviços contribuem para
que estes associados vejam seus projetos mais inseridos na
sociedade, para que encontrem mais parceiros e ganhem visibilidade.
Em troca eles oferecem os mais variados tipos de contrapartidas na
forma de recursos financeiros, físicos, tecnológicos e
intelectuais. A associação tem também associados voluntários, que
são o nosso maior tesouro, as pessoas mais importantes de nossa
rede, que nasceu da boa vontade de uma voluntária que não desistiu
de realizar sua idéia até que beneficiasse efetivamente a
sociedade.
Estamos em 2008 e muita gente já me perguntou porque fui tão longe
com um projeto que era apenas uma encomenda. Respondo sempre que é
porque se tornou uma missão de vida.
*Camila Santo
é presidente da Associação Rede Brasil França - RJ
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